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Enade muda para evitar distorções entre cursos

16/11/2013 - 18:01h

O curso de Direito da Universidade Estadual do Piauí é superior ao da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em Administração, a Federal de Viçosa e a unidade de São José dos Campos da Universidade Paulista (Unip) deixam para trás a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).

Esses foram alguns dos resultados da edição 2012 do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) que reacenderam o debate sobre os critérios de avaliação, a motivação de alunos para a prova e o que o indicador revela, de fato, sobre o universo educacional.

A discussão ganhará outro capítulo no dia 24, próximo domingo, quando o Enade 2013 será aplicado com alteração em suas regras. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) publicou, na segunda-feira passada, uma portaria que prevê que os alunos sejam mantidos por uma hora na sala durante o exame. Quem deixar o local antes disso não poderá assinar a lista de presença e ficará em situação irregular. Antes, não havia tempo mínimo. A ideia, com isso, é evitar o boicote - o que acaba contribuindo para distorções na nota.

O Enade é componente curricular obrigatório, ou seja, quem não fizer a prova estará em situação irregular e não poderá obter o diploma. O aluno, no entanto, pode responder às questões da forma como quiser, uma vez que a nota não serve para carimbar seu desempenho - e, sim, o do curso. Segundo o Inep, 0,56% das provas foi deixado em branco em 2012.

No artigo A Falácia do Enade, o Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular lamenta a postura de estudantes no exame. "Não há nenhum tipo de punição para o aluno irresponsável ou brincalhão", diz o artigo. "Podem entregar a prova em branco, dar respostas com receitas de bolo ou com o Hino do Palmeiras", prossegue o texto.

O presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, diz que hoje as empresas já olham para o resultado do Enade ao avaliar o candidato. "A avaliação também ajuda o Ministério da Educação (MEC) a fazer intervenções pedagógicas", diz. Para ele, os resultados distorcidos são "exceções". "Pode haver casos de boicote, ou de situações que não são adequadas, mas são casos específicos, uma minoria", diz.

Avaliação. A prova do Enade tem 40 questões - dez de formação geral e 30 de formação específica (para cada curso). As notas vão de 1 a 5 - abaixo de 3, o desempenho é considerado insatisfatório pelo MEC.

"O exame acaba servindo para propaganda, e alguns cursos não precisam disso porque todos sabem quem são os melhores. As estaduais de São Paulo e do Rio são reconhecidas no mundo todo", afirma o coordenador-geral da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, Daniel Cara.

A Unip concede bolsas, netbooks e iPods a estudantes com bom desempenho. "Mas não é isso que está fazendo dar resultado, mas o fato de os alunos aprenderem o conteúdo", diz o reitor, João Carlos Di Genio.

Questionado se o curso de Administração da Unip é superior ao da FGV, como aponta o Enade, Di Genio responde: "A diferença de nota 4 (da FGV) para 5 (da Unip) é tão pouca. A FGV é ótima, mas estamos conseguindo atingir o nível dela."

Em casos de cursos menos reconhecidos, o Enade pode mexer com a autoestima, diz o professor Francisco Soares, pró-reitor de Ensino e Graduação da Universidade Estadual de Piauí (Uespi). Além de Direito, Jornalismo, Psicologia e Turismo da Uespi também ganharam conceito máximo. "Nosso aluno vê no exame uma forma de mostrar o valor dele", diz.

Procurada, a EAESP-FGV informa que "valoriza a nota do Enade 2012 e defende a inclusão das respectivas avaliações de seus alunos nos históricos escolares". A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da Universidade Federal de Viçosa. Já a PUC-SP diz que "não considera que a nota 3 no Enade corresponda à qualidade de seu curso de Direito". "Apesar da nota 3, somos reconhecidos como uma das mais importantes instituições do País nesta área, tendo formado inúmeros ministros do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça", informa a instituição paulista.



Fonte: Estadão



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